16 February 2011

Propostas e propostas

A pífia vitória do candidato da direita nas eleições presidenciais não vai alterar a vontade e a persistência dos portugueses em lutar contra a crise e pela sua qualidade de vida.

O facto de os partidos de direita se posicionarem, gulosamente, no caminho do poder só fará vencimento se os trabalhadores e o povo português se deixarem enganar com as falsas promessas e os cantos de sereia que se começam a ouvir. As declarações proferidas por dirigentes da direita, nos últimos dias, são claras quanto às suas pretensões: acabar com o que resta do estado social, os serviços públicos e a segurança social, promover o agravamento da precariedade no emprego e privatizar tudo o que for susceptível de produzir algum beneficio. Tudo isto em nome do “menos estado melhor estado”…
É sintomático que aquilo que começaram por dizer acerca da necessidade de eliminar as empresas públicas que dão prejuízo, tenha vindo a ser iludido por afirmações de que afinal não será bem assim e que não se pretende eliminar postos de trabalho. Estas permanentes contradições permitem avaliar bem da inconsistência das propostas que a direita tem para a governação. E falam com um ar angelical como se nada tivessem a ver com a situação actual, como se não tivessem esbanjado dinheiro com compras inúteis de submarinos e como se nada tivessem a ver com os escândalos do BPP e do BPN. Como dizem os brasileiros, com a maior cara de pau.
A campanha meramente populista desencadeada por alguma imprensa e pelos opinadores do costume sobre a necessidade de diminuir o número de deputados na Assembleia da República pode pôr em causa a representatividade democrática sempre tem causado engulhos à direita portuguesa.
O crescimento do populismo, mascarado de critica à “politica”, é uma das marcas da agressividade da direita neo-liberal. Talvez fosse preferível preocuparem-se com os escândalos sobre as luvas de milhares de euros recebidos por partidos cujos membros “facilitam” a aprovação de empreendimentos e o abate de sobreiros , estes, protegidos por lei.
Talvez fosse preferível preocuparem-se com as razões que levam a banca e as grandes empresas a pagarem menos impostos, percentualmente, do que os pequenos empresários e comerciantes. Talvez fosse preferível preocuparem-se com a antecipação da atribuição de dividendos pelas grandes empresas, como fez a PT e outros, para impedir a cobrança pelo Estado do imposto criado no orçamento para 2011.
As discrepâncias entre a forma como se faz a cobrança de impostos e de taxas sobre os rendimentos trabalhadores e das classes populares menos favorecidas e como se procede, morosa e lentamente, à cobrança dos impostos sobre os poderosos também ajuda ao descrédito d a política e dos políticos .
O governo Sócrates tem vindo a afirmar a necessidade de incrementar as exportações, como forma de desenvolver a economia portuguesa. É evidente que todas as medidas que visem ultrapassar a crise e desenvolver a produção são de aplaudir. O que já não será tão correcto é o apoio financeiro, quase exclusivo, para as industrias viradas para a exportação, esquecendo outras, tão necessárias para evitar a nossa dependência.
A substituição de produtos importados, nomeadamente de produtos alimentares (por exemplo os cereais), por produção nacional deveria ser, igualmente apoiada, dado que tal produção além de evitar as compras ao estrangeiro e o consequente endividamento, assegura uma reserva estratégica , muito importante para a autonomia económica do nosso país.
Para isso as pequenas e médias empresas que precisam de financiar projectos produtivos no plano agrícola e até nas pescas e sua transformação necessitam, urgentemente, de apoio financeiro.

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda
E MAIL : jferreirasantos@netcabo.pt

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