21 January 2011

Votar é preciso

O período destinado à campanha eleitoral para a presidência de Republica de 2011 está na recta final. Os debates e o esclarecimento político que deveriam ter dado aos eleitores um melhor conhecimento acerca do pensamento de cada um dos candidatos para Portugal foram pouco mais do que inexistentes.

Uma das candidaturas tentou aparecer aos olhos dos portugueses como sendo inquestionavelmente a única com possibilidades de ser eleita. Para tal recorreu a truques de linguagem, às mais descaradas inverdades, à arrogância e pesporrência mais completas, roçando o insulto aos seus adversários.

Espero que os portugueses não se deixem enganar pela complexa mistura de tabus, mitos e desinformação que tal candidatura perfila. Não bastavam os escândalos de promiscuidade nos negócios com os acusados do BPN, Cavaco Silva afirma-se como o “único com possibilidades de tirar Portugal da situação em que se encontra”. Estranha-se que durante os cinco anos do seu mandato não o tenha conseguido e só agora se afirme ser capaz de o fazer. Foi este mesmo presidente que promulgou as leis que, enquanto candidato, critica. Tal atitude não abona muito da sua verticalidade politica.

Portugal necessita, na Presidência da Republica, de alguém capaz de assumir com coerência a defesa dos interesses do nosso povo, nomeadamente dos que mais têm sofrido com a crise, os desempregados, os pensionistas, os trabalhadores precários, os jovens à procura do primeiro emprego. Não necessitamos de alguém que aceite resignadamente os ditames dos especuladores financeiros, nacionais e internacionais e que recomende o silêncio face aos seus dislates.

Necessitamos de alguém que defenda a continuação e a melhoria dos serviços públicos e não o financiamento pelo erário público de serviços privados sejam escolas ou outros. Necessitamos de alguém que promova o diálogo e não de quem ameace, mais ou menos veladamente, com “golpes de estado” favoráveis aos seus apoiantes. Necessitamos de alguém que promova um denodado combate a todas as formas de corrupção e não pactue com aqueles que dela colhem gordos benefícios. Necessitamos de alguém que não confunda o papel de Presidente da Republica com a governação do país, mas que utilize com inteligência a magistratura de influencia e da palavra para equilibrar os diferentes interesses em jogo.

Pelo que nos tem sido dado conhecer o presidente-candidato procura aparecer como "não politico" quando ele que é um dos políticos portugueses com mais tempo no exercício de cargos políticos. Se não tem feito “politica”, o que chamar àquilo que faz?

Por tudo o que tenho vindo a escrever, irei votar contra Cavaco Silva, porque representa aquilo que eu não quero para o futuro do país: a continuação de mais do mesmo … Exercer o direito de voto é uma condição imprescindível para nos podermos reclamar de uma cidadania responsável.
Não há vitórias antecipadas. Uma segunda volta é possível e desejável.

Faço um apelo aos leitores para que no próximo dia 23 exerçam o seu direito de voto efectivo, a abstenção ou o voto em branco não são a melhor maneira de nos fazermos ouvir.

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda
E MAIL : jferreirasantos@netcabo.pt

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