31 December 2010

Um cerco à economia portuguesa


Agora é o Deutsch Bank a preconizar que Portugal terá que pedir ajuda financeira ao FMI e ao Fundo Europeu. Já não bastavam os “inteligentes” internos que apelam à participação “externa”, ou declaram estar dispostos a governar com ela, e as agências americanas de notação financeira que provocam os constantes aumentos de juros dos empréstimos, também os dirigentes políticos Europeus começam a “dar palpites” nas questões da economia portuguesa.


Os nossos governantes, habituados à situação de “mão estendida”, solicitando fundos e empréstimos, não são capazes de assumir uma posição de firmeza, face a tais dislates. Recordo o que foi dito há tempos sobre que “ quem paga é quem manda”. Afinal quem paga somos nós e “eles” é que mandam!

A resposta não será fácil, mas terá que ser dada. Como já tenho afirmado, o endividamento nacional, quer em termos de divida pública, quer privada, tem sido devida, em grande parte, ao deslumbramento de tipo “ novo rico” a que nos levou uma governação pouco criteriosa e sem a preocupação de contar a verdade ao país.

Tal situação não é da exclusiva responsabilidade do último governo, mas de todos os governos que temos tido nos últimos anos, nomeadamente após a adesão à União Europeia. Assim, não adianta vir agora, Cavaco Silva dizer que sente vergonha da existência de fome em Portugal, ele que também contribuiu para que isso acontecesse, destruindo o tecido produtivo nacional em troca dos fundo europeus, que, tornando-nos dependentes, se destinavam a pagar as compras feitas nos mercados da Europa.

Não adianta, o mesmo senhor ameaçar, com chamadas à responsabilidade do governo, no caso de o FMI ser chamado a intervir, quando uma parte substancial da culpa da situação se deve ao “apoio” prestado aos bancos dos amigos José Oliveira e Costa, Manuel Dias Loureiro e outros ex-ministros do PSD, no que foi uma cumplicidade promíscua que nos ficou bem cara. Convém que o povo português não se deixe “encantar” por promessas daqueles que já tiveram várias oportunidades de fazer alguma coisa pelo país e que nunca tiveram uma visão de médio e longo prazo.

Compreendemos a necessidade de alterar o rumo da situação, que deve começar pela assunção equitativa das responsabilidades. Não é possível esperar que sejam sempre os mesmos a pagar as crises, enquanto outros continuam a gozar das maiores regalias e com o mais hipócrita dos desplantes a apregoar a necessidade de baixar salários e subsídios.
Como se compreende cresce um enorme descontentamento que pode desencadear uma onda de conflitualidade difícil de enquadrar.

No nosso Concelho continuamos a assistir a uma gestão em tudo idêntica à que existia, antes da declaração da situação de crise. Há dias foi proposta a compra de um edifício, em parte ilegal, que aloja um pequeno clube de Agudela, em Lavra, com vista à continuação da construção da estrada junto ao mar, aproveitando os fundos europeus para tal. Simultaneamente foi afirmado pelo executivo que a Câmara teria de construir um pavilhão para permitir a prática desportiva desse mesmo clube. Estranha-se que, neste caso, não tenha sido pensada uma possibilidade de permuta entre o terreno onde está instalado o actual pavilhão e o futuro, sem pagamentos. Tal proposta feita na Assembleia Municipal foi acolhida com um encolher de ombros que não se entende.

De qualquer modo é necessário estudar a utilização das instalações desportivas já existentes, numa visão de economia de meios, pelos clubes existentes, porque de forma nenhuma faz sentido a construção de instalações próximas umas das outras e o seu sub aproveitamento. Em nome da contenção de despesas, esta economia de meios deverá ser alargada a outras instalações e mesmo à utilização de meios de transporte o que iria permitir alguma poupança, mantendo a qualidade do serviço.

Espero que o ano de 2011 traga maior discernimento aos nossos governantes para que a resolução da crise tenha propostas criativas envolvendo e responsabilizando todos e não se abata de forma desigual, apenas, sobre alguns de nós.

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda
Email: Jferreirasantos@netcabo.pt

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