07 December 2010

Para combater a crise, relancemos a produção

As pressões exercidas pela burocracia de Bruxelas para o cumprimento cego dos défices impostos têm provocado o esmagamento das economias nacionais, como se verificou na Grécia, na Irlanda e ameaçam Portugal e Espanha. Essas pressões têm um nome, “especulação financeira”, e um beneficiário , o “monstro”, que se convencionou designar por mercado.

No caso da Irlanda, os principais bancos, agora falidos, têm os seus mais importantes débitos nas mãos dos bancos alemães. Assim, os erros de financiamento, acompanhados dos chamados produtos tóxicos financeiros, serão pagos pela Europa, beneficiando os bancos alemães. É evidente que os cidadãos irlandeses não estão de acordo com os custos sociais que o chamado “resgate” das falências dos bancos acarretam e têm-no manifestado nas ruas. Esta mais do que estranha visão de europeísmo do governo de Angela Merkel vai reflectir-se na sua ultra agressiva política externa e nas exigências absurdas que defende, nomeadamente as punições para os países com mais dificuldades.

Àqueles que defendem a entrada do FMI em Portugal, ou mesmo os que infantilmente se proclamam como dispostos a governar sob as condições do FMI, convém lembrar as consequências que a intervenção daquela instituição da especulação financeira internacional teve na Argentina em 2002 e mesmo no nosso país .

Não é, por certo, com uma maior desregulação das relações de trabalho, com mais facilidades no despedimento, com o não pagamento de indemnizações aos despedidos, com o fim do subsidio de desemprego e da segurança social, nem com a destruição do serviço nacional de saúde, como pretende impor a Comissão Europeia que iremos ultrapassar a crise. Até parece que pretendem reintroduzir o que se chamou, no inicio do século XX, “exército de mão de obra de reserva”, para fazer baixar a capacidade reivindicativa dos trabalhadores. Como é impensável uma saída do Euro para uma economia como a portuguesa, temos que encarar a necessidade de aumentar a nossa produção, não só com vista à exportação, mas evitando a importação de bens essenciais e a consequente saída de divisas.

Temos de voltar a tornar produtivas as nossas terras que, em nome de um modelo de modernização muito questionável foram deixadas ao abandono e até subsidiada a sua improdutividade. Como tantas vezes tenho afirmado, fica muito mais barato financiar a criação de emprego do que financiar o desemprego, para além de que é socialmente muito mais válido. Desta forma será possível diminuir o desemprego e criar riqueza. Sabemos que para tal se terão que fazer investimentos para criar condições a quem estiver disposto a trabalhar a terra em moldes diferentes daqueles que se verificavam há trinta anos atrás. É igualmente importante incentivar o trabalho nas pescas e nas indústrias que lhe são adjacentes.

É claro que isto implica toda uma politica diferente e uma visão da economia mais virada para a resolução dos problemas sociais do que para a produção de lucros, e esta não me parece ser a principal preocupação quer dos banqueiros, quer mesmo dos governantes.

Como sempre teremos de ser nós, os cidadãos, a agarrar o futuro nas nossas mãos e a arrostar com o encargo de transformar a sociedade de acordo com os nossos interesses e necessidades.

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda
Email: jferreirasantos@netcabo.pt

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