10 December 2010

Os sacrifícios não são para todos


Contrariamente àquilo que tem sido afirmado pelo governo, os sacrifícios destinados a pagar os desvarios da economia de casino não estão a ser distribuídos, igualmente, por todos os portugueses.



O Partido Socialista e a restante direita parlamentar votaram contra a tributação da antecipação feita por algumas grandes empresas do pagamento de dividendos. É o caso, por exemplo, da Portugal Telecom , da Portucel e da Jerónimo Martins ( Pingo Doce) . Estas empresas, para evitar o pagamento do imposto previsto pelo Orçamento Geral do Estado de 2011 sobre a distribuição de dividendos, anteciparam a sua distribuição aos accionistas ainda em 2010, fugindo, assim, à entrega ao Estado de muitas centenas de milhões de euros. O argumento aduzido pelos dirigentes do PS, e com a cumplicidade do PSD e CDS, foi que não se pode alterar as regras do jogo a meio deste.

Estranho argumento este. Tal facto nunca impediu estes mesmos senhores de mudar as regras do jogo quando se trata de alterar a idade da reforma ou o valor do pagamento das pensões, os valores do subsídio de desemprego ou até o salário mínimo nacional. Outro negócio estranho foi a não taxação da venda da VIVO no Brasil , efectuada pela Portugal Telecom e que igualmente lesou o erário público em muitos milhões. Com a cobrança destas “benesses” concedidas ao grande capital, os cortes sociais que já começaram a ser feitos, e aqueles que virão em 2011, não seriam necessários.

Dois pesos e duas medidas, portanto. Quando se trata de proteger os grandes empresários, os especuladores e banqueiros, os partidos da direita parlamentar, incluindo o PS, são muito solícitos e apressados; quando se trata dos trabalhadores não se olha aos meios e não se sente qualquer preocupação pelo efeito dessa acção.

Os portugueses têm boa memória, não se deixam convencer pelas palavras melífluas e enganadoras dos dirigentes da direita politica que agora procuram relançar antigos mitos como a AD, tentando fazer crer que tal reedição ajudaria a resolver os problemas, dos quais não podem ser tidos como inocentes. Ainda nos lembramos bem do que foram esses tempos.

Aqueles que têm apoiado as medidas tomadas por José Sócrates e que tantos prejuízos têm causado ao país, viriam com politicas ainda mais facilitadoras da destruicão do que resta do estado social, e não melhorar o que quer que fosse. É ver as propostas que vão apresentando que preconizam a destruição do Serviço Nacional de Saúde, da educação pública, da segurança social, para entender qual o papel que se propõem ter, no caso de os deixarem tomar a governação.

Assistiríamos, isso sim, à dança dos “boys” em tudo o que for passível de mordomias e de chorudos ordenados. A resposta para esta falta de democracia económica e de defesa dos interesses dos menos favorecidos, que é a maioria do povo português, só pode ser de mais Democracia e de uma defesa intransigente do que resta do Estado Social, mesmo que para isso seja necessário estudar uma racionalização nos gastos.

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda
E MAIL: jferreirasantos@netcabo.pt

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