28 November 2010

Isto anda tudo ligado

Depois do grande circo da NATO em Lisboa, convém não esquecer do que se fala quando se fala daquela "benemérita" organização. Surge, no pós II Guerra Mundial, como uma aliança entre os EUA, o Canadá e alguns países da Europa contra a União Soviética e a expansão do comunismo soviético nos países do Leste da Europa. Uma aliança anti-comunista, tal como foi encarada por Salazar, que a ela aderiu como forma de perpetuar o seu poder em Portugal, que, como sabemos aliás, foi bem sucedido. Se não fosse a submissão aos interesses dos Americanos, provavelmente, o regime salazarista não teria subsistido tanto tempo.

Como o tempo é feito de mudanças, hoje a NATO é o braço armado dos interesses do capital financeiro e com pouco tem a ver com uma organização defensiva do Atlântico Norte, mas mais com um prolongamento do Exército dos EUA e dos seus fieis aliados, destinado a submeter quem ousar ter opiniões diferentes, por todo o planeta.

À razão da sua criação respondeu a URSS com a formação do Pacto de Varsóvia. Com o desmantelamento do regime soviético, não se vislumbra nenhuma razão para a continuação da existência da NATO. Onde estão hoje os perigos para nos defendermos? Serão necessários exércitos tradicionais para combater os novos perigos?

O facto de estar integrado na Nato equivale a uma despesa incomportável, não só em termos de mobilização de pessoal, como na compra e manutenção de material de guerra de que não temos a mínima necessidade. É neste contexto que se deu a compra dos famigerados submarinos.

Os milhares de portugueses que deram testemunho de repúdio pela continuação da permanência de Portugal na Nato não devem ser menosprezados.
Os enormes encargos financeiros decorrentes de umas forças armadas exclusivamente viradas para a participação na Nato deveriam ser repensados e reencaminhados para fins bem mais úteis.

Agora que já não temos os noticiários completamente virados para a festarola da Nato, começamos, novamente, a ouvir falar da crise. A Europa estava preocupadíssima com os problemas da Irlanda. Pudera, o maior problema da Irlanda é o facto de os Bancos daquele país estarem na bancarrota, dado terem participado, de forma cega, na economia de casino que descambou na crise. O enorme défice Irlandês deve-se à necessidade do governo ter de “salvar” os bancos falidos. O FMI e o BCE vão agora tomar as rédeas para “resolver o problema”. Como é costume serão os trabalhadores a “pagar as favas”.

O garrote económico a que o eixo Paris/Berlim quer submeter os países chamados periféricos, Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda, constitui o contrário do que deveria ser uma Europa solidária e preocupada com os europeus.

Em Portugal, os governantes apresentam as mais diversas e desencontradas opiniões e os portugueses já não sabem em quem acreditar. Uns ministros acham que a situação não é tão má como a pintam, outros consideram que o FMI pode trazer benefícios. Tudo isto mostra o descalabro deste governo.

Os especuladores financeiros continuam a encher, vergonhosamente, os bolsos à custa da crise de que foram responsáveis. Na comunicação social continuam a inculcar a ideia de que é necessário baixar os salários e as prestações sociais.
No fim, serão os portugueses a pagar pelos erros de cálculo daqueles em quem depositaram a responsabilidade de governar.

Uma coisa é certa: com as políticas que têm sido seguidas não há saída para a crise. Só uma alteração substancial de política pode trazer uma réstia de esperança. É imperioso que se volte a investir na agricultura, nas pescas, evitando a saída de divisas e assegurando a produção de bens alimentares. Mas não podemos esperar que alguém o venha a fazer por nós.

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda
Email: jferreirasantos@netcabo.pt

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