13 November 2010

Algumas prioridades para o centro de Matosinhos

No meu último texto prometi voltar à questão levantada pelos anúncios nos jornais sobre a criação do chamado Espaço Quadra, assim que tivesse mais informação sobre o mesmo.

Embora as informações continuem a ser através dos jornais, pode já perspectivar-se o que virá a ser tal iniciativa. Desde logo, constituirá mais uma parceria Publico/Privada que é uma forma que o aparelho central do Estado, e pelos vistos também as autarquias, engendraram de contribuir para dar financiamentos a entidades privadas, acarretando com os prejuízo se os houver. É ver os casos dos Hospitais com esse tipo de gestão e das SCUT que passam a auto estradas pagas.

Depois, continuo a pensar se terá havido alguma preocupação com as prioridades a escolher para o desenvolvimento desta zona da cidade, tendo em conta que se prevê, dentro em breve, a possibilidade de uma afluência de turistas, com a abertura da gare de passageiros do Porto de Leixões.

Lembro também que tem sido ventilada a possibilidade de instalar no edifício antigo da Caixa Geral de Depósitos, na Rua Brito Capelo, o pólo dinamizador dessa iniciativa, pelo que o mesmo será entregue à ESAD - Escola Superior de Arte e Design, uma escola privada. Refira-se que aquele edifício foi adquirido pela Câmara, e como tal submetido à Assembleia Municipal, com a finalidade de ali ser instalada a Policia Municipal.

O edifício e a vida do Mercado Municipal até podem ganhar com a instalação do ninho de empresas de design, mas como se resolve o constrangimento da falta de estacionamento? É fácil a coexistência entre as duas realidades?

Não nego que possa ser possível que iniciativas deste género, bem pensadas e articuladas, possam contribuir para fazer reviver esta zona abandonada da cidade, mas convinha ter em conta que é necessário ter mais alguma coisa para oferecer a possíveis visitantes.

A autarquia deveria encarar a possibilidade de, juntamente com os comerciantes, criar condições de revitalização do comércio tradicional, começando por iluminar a Rua Brito Capelo e adjacentes, de modo a trazer para a rua pessoas que agora temem sair após o pôr-do-sol.

As medidas só terão êxito se envolverem os interessados, neste caso os comerciantes, evitando as imposições como as que ocorrem com os assadores de rua, que redundaram em fracasso.

Causa-me estranheza que com trinta e cinco anos de democracia se continue a haver quem pense que a gestão da “coisa” pública se pode fazer apenas com especialistas, sem ter em conta os reais intervenientes.

Os custos com tais medidas não serão, por certo, muito superiores a alguns investimentos municipais que se perfilam, como as “ajudas” às empresas do Dr. Balsemão, com a onerosa instalação da IMPRESA ou a absurda compra do pavilhão da Agudela.

Embora entenda que a modernização da sociedade passa, também, por modernizar estruturas, a preocupação do país e do aparelho de Estado, deverá ser a manutenção e criação de emprego e daí que essa terá de ser a prioridade de todos os investimentos.

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda
E MAL: jferreirasantos@netcabo.pt

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