28 October 2010

Não ao Orçamento de Recessão

Com a apresentação do Orçamento Geral do Estado para 2011 e a consequente telenovela criada à volta da sua viabilização, os portugueses ficam com a certeza que os governantes, bem como a oposição de direita (PSD), estão muito mais preocupados em acatar as directrizes do eixo Paris/Berlim, vindas de Bruxelas, do que com o bem estar dos cidadãos que os elegeram.

As directrizes dos eurocratas de Bruxelas têm uma preocupação dominante, a saber: a continuação da exploração financeira por parte dos grandes bancos e seus agentes, independentemente das consequências sociais de tal saque. Em Portugal, verificamos que é muito mais importante “entregar” centenas de milhões de Euros ao BPN para proporcionar a sua reprivatização, num negócio que dará mais de duzentos milhões de prejuízo, do que manter as prestações sociais aos desempregados, aos reformados e os abonos de família.

Para o governo PS, bem como para o PSD e CDS, continua a ser mais importante a compra dos famigerados submarinos e outras máquinas de guerra do que proporcionar financiamento a pequenas e médias empresas com vista à criação efectiva de emprego. Propostas nesse sentido foram feitas, pelo Bloco de Esquerda, como alternativa ao orçamento apresentado pelo governo Sócrates/Teixeira dos Santos.

É evidente que sabemos da compulsão persecutória dos governos da França e da Alemanha, advogando sanções sobre os países que não cumpram o défice, mas também sabemos que foram precisamente estes dois países a que não cumpriram as regras que agora querem impor, da forma mais brutal e violenta sobre os países com mais dificuldades.

A atitude responsável que qualquer força política de esquerda deve assumir face a este orçamento deve ser a de apresentar alternativas menos penalizadoras para quem trabalha, e a consequente rejeição da proposta governamental. O contrário será pactuar com o aumento do desemprego, da precariedade e da miséria do povo português. Quando afirmamos a necessidade de contribuir para minorar o gigantesco défice que temos na balança comercial em relação às importações de bens alimentares, fazemo-lo com a maior convicção de este poder ser um caminho a seguir e não com o cinismo daqueles que conseguiram destruir as pescas e a agricultura, em nome de uma falsa “necessidade” de modernização e agora nos vêm falar das prioridades face às riquezas do mar.

Impõe-se a necessidade da exigência de novas políticas. Viradas para o real interesse das populações, isto é, da maioria. Ninguém o fará por nós.


José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda
E MAIL : jferreirasantos@netcabo.pt

No comments:

Visitas

Contador de visitas