19 September 2010

Questões de política europeia e local

Portugal existe, como país com fronteiras mais ou menos delimitadas, há mais de oitocentos e cinquenta anos. Ao longo destes oito séculos e meio foram inúmeras as crises dos mais variados tipos, sociais, religiosas, políticas e económicas a que o povo português esteve sujeito. Com maior ou menor dificuldade lá fomos conseguindo sair delas.

A Europa em que Portugal se insere geograficamente desde sempre, mas agora em termos de união económica deveria constituir uma realidade, por si só, económica, política, social e cultural, onde os povos dos diferentes países usufruíssem de condições de vida e de trabalho de forma equiparada e onde uma vivência de democracia desenvolvida correspondesse ao primado das pessoas sobre a economia. Infelizmente, a chamada União Europeia tem mostrado estar mais preocupada com a organização da defesa dos interesses dos bancos e das empresas financeiras mais poderosas.

Sem perfilhar, de modo nenhum, nacionalismos bacocos e sem sentido, considero inadmissível a ultima exigência dos burocratas de Bruxelas/Berlim, em que os Orçamentos Gerais dos Estados passam a ser sujeitos a aceitação prévia da Comissão Europeia antes de serem votados nos Parlamentos Nacionais. Tal subjugação, que se destina a menorizar, ainda mais, a democracia de cada país membro, nem sequer se verifica em relação aos orçamentos estaduais nos Estados Unidos da América.

A prioridade tem de ser a de implementar políticas que façam crescer o emprego, acabem com a precariedade do mesmo e isso não passa por seguir os ditames, até agora mentirosos, do chamado Fórum Económico Mundial, o que leva a representante em Portugal a afirmar que a causa do desemprego se deve à falta de flexibilidade das nossas leis laborais. Quando constatamos que o ideal de organização laboral desta gente é, por exemplo, Singapura, ficamos informados.

E para que não digam que não falo de Matosinhos …

Começa a ser falado nos meios de comunicação nacionais e locais a proximidade da inauguração do Terminal de Passageiros do Porto de Leixões. Esta obra, espera-se, vai trazer ao concelho novas dinâmicas, para além de um grande número de turistas das mais diversas proveniências.

Mais uma vez era de todo interessante perguntar ao executivo camarário de Matosinhos se reflectiu sobre as medidas a programar com vista a fixar algumas das mais valias que tal obra vai gerar. O pelouro camarário responsável pelo turismo já iniciou contactos com as entidades a nível regional e nacional para criar mais rotas visitáveis que possam constituir alternativa às visitas às caves do vinho do Porto? E como integrar o comércio tradicional de Matosinhos para que possa aproveitar essa nova dinâmica?
Espera-se que não se esteja a pensar na criação de mais uma Empresa Municipal para gerir o afluxo turístico, com a consequente criação de “jobs for de boys”, quer para os “camaradas” de partido, quer para os “amigos” dos partidos mais ou menos apoiantes.

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda
Email : jferreirasantos@netcabo.pt

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