06 July 2010

Portugal e a União Europeia

Há 25 anos, o Estado Português aderiu à então chamada Comunidade Económica Europeia (CEE). Seria da mais completa estulticia afirmar que, desde aí até hoje, nada se modificou no país.

Os muitos milhões de Euros que a CEE e, posteriormente a União Europeia, encaminharam para Portugal, se tivessem sido canalizados, honesta e inteligentemente, para o desenvolvimento industrial, agrícola, social e cultural do nosso país teriam proporcionado uma muito melhor qualidade de vida à generalidade dos portugueses e não fabulosas fortunas a uma meia dúzia que se “abarbatou” deles.

Por outro lado, não estaríamos hoje na situação de subserviência face à eurocracia de Bruxelas e do FMI, se ao invés de servirem para adquirir bens sumptuários e socialmente inúteis, esses fundos tivessem servido para modernizar a indústria, para criar condições a uma agricultura digna do século em que vivemos, para permitir às pescas meios de captura, conservação e distribuição, compatíveis com as necessidades dos nossos dias, e para democratizar, de facto, a educação em Portugal e para que a saúde fosse acessível a todos. Se as condições tivessem sido criadas poderíamos estar a exportar produtos que têm mercado não só na Europa como fora dela e a balança comercial estaria equilibrada.

Estas afirmações não são mera retórica nem utopias vãs. Infelizmente, e por falta de empenhamento democrático dos governantes, desde há 25 anos, muitos portugueses apenas olham para a Europa como um mealheiro onde podem ir buscar umas “ajudinhas” para continuar a levar a “vidinha”.

Sempre que se punha a questão de discutir a Europa, e houve várias ocasiões para o fazer, o que queríamos e como queríamos essa Europa, fomos impedidos de o fazer, com as mais toscas desculpas. Quando, finalmente, nos prometeram que iríamos poder discutir e votar uma espécie de constituição europeia, faltaram à promessa e trataram de aprovar à porta fechada um tratado que apenas contribuiu para afastar os europeus da “gerência” europeia.

Quem detém o poder, na verdade, na União Europeia são os grandes bancos dos países do centro europeu. São eles que em nome da estabilidade financeira impedem a criação de medidas conducentes ao crescimento económico. Foram eles, nomeadamente a banca alemã, que ao obrigarem os estados a subsidiarem em mais de um milhar de milhões de euros os bancos e os accionistas em dificuldades por actividades no âmbito da economia de casino e de investimentos financeiros fraudulentos, vêm agora exigir cortes nos gastos públicos, principalmente nas despesas públicas sociais, o que está a constituir um enorme sacrifício para as classes populares da União Europeia.

A situação que se vive só é possível de combater com mais democracia, mais solidariedade entre os países da Europa e o fim da preponderância da economia sobre a política. A par disto assistimos ao crescimento das ideias xenófobas, racistas e discriminatórias difundidas por toda a Europa e que habitualmente acompanham, nas épocas de crise, o desemprego em larga escala.

No nosso país, vemos uma descarada lavagem da história, que pretende apresentar o período da ditadura, de 1926 a 1974, como um mundo que não era assim tão mau, onde não existia crime, nem corrupção, nem “maus costumes”; pelo menos esses factos não apareciam nos jornais. Aqueles que viveram esse tempo sabem que se trata de uma enorme falsidade, acobertada por uma polícia politica feroz, por uma imprensa e meios audiovisuais sujeitos a exame prévio (censura), e por uma fantástica rede de delatores, “bufos”, instalada nos mais insuspeitos locais.

À sociedade, às autoridades democráticas e à escola compete, através da discussão, destruir os mitos de “pé de barro” dos “paraísos perdidos”, a fim de repor a verdade dos factos.

O futuro da Europa e do Mundo só é viável com mais e melhor democracia, com uma democracia participada e alargada a todos os sectores económicos, sociais e culturais, onde nada seja mais importante do que o bem estar dos seres humanos, não esquecendo que fazemos parte integrante da natureza que devemos respeitar e conservar.


José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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