22 July 2010

Nem só de futebol vive o homem

Apesar da importância dada pela Comunicação Social ao campeonato mundial de futebol, que pareceu criar uma cortina de fumo sobre tudo o resto, os últimos dias foram plenos de pequenos e médios escândalos.

Desde a manifestação do maior “patriotismo” por parte dos accionistas da PT face à tentativa de compra da Vivo pela Telefónica espanhola, claramente demonstrativa, mas já nem sequer original, de que o único interesse desses senhores é no cheque que poderiam “empochar”. Passando pela triste figura que o novo chefe do PSD fez em Espanha ao afirmar que o governo português deveria vender as “golden share” que possuiu nas empresas consideradas com interesse estratégico, posição que está de acordo com o seu confessado ultra neo-liberalismo. Não esquecendo o estranho e vergonhoso escândalo dos submarinos, que não ata nem desata, apesar do Dr. Paulo Portas continuar na sua frenética campanha em prol dos “lavradores” e da classe média, procurando fazer esquecer a sua implicação na delapidação de tantos milhões na escura compra de armamento, a qual se apresenta como “indispensável” para ultrapassar a crise financeira.

Por outro lado, temos vindo a assistir a uma estranha e inusitada preocupação por parte dos membros do governo, com os interesses públicos nacionais, em relação à venda da Vivo, interesse que, infelizmente, não se verifica com o anúncio de privatização de todas as empresas publicas susceptíveis de dar lucro. A questão das SCUT’s e dos chips de matrícula mais parece uma dança de cadeiras, ao sabor dos “entendimentos” entre o PS e o PSD, ora avança, ora recua. As direcções dos dois partidos do “centrão” podem mostrar animosidade e diferenças para consumo externo, mas entre elas entendem-se muito bem.

Como a situação do desemprego na zona norte do país é coisa de pouca monta , o secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional, Valter Lemos, que os professores tão bem conhecem, resolveu nomear para o Instituto de Emprego e Formação Profissional do Porto um seu conhecido de quem apenas se conhecem como habilitações especificas para esse cargo, precisamente o ser conhecido do Sr. Secretário de Estado. Tal atitude parece configurar uma certa forma de nepotismo. Nos serviços públicos, aqueles que o Estado deveria estar obrigado a prestar aos cidadãos, continuam a verificar-se cortes nas despesas, uns às claras e outros encapotados. Estas medidas, porque não são acompanhadas por outras que permitiriam credibilizá-las, indo buscar o dinheiro onde ele existe, parecem destinar-se, apenas, a destruir tudo o que foi criado após 1974, como o Serviço Nacional de Saúde, o Ensino para todos e a Segurança Social. Os órgãos do Estado, que tão fortes se mostram sempre com os mais fracos, têm muita dificuldade em afrontar os mais poderosos.

Aqui na nossa terra, continuam a verificar-se negócios imobiliários de muito difícil explicação. Nos últimos dias soubemos, pela Comunicação Social, que a Câmara Municipal procedeu à venda, por um preço abaixo do que estava previsto, de um terreno na Senhora da Hora destinado a uma Escola privada, que vai servir os condomínios de luxo que as empresas de Belmiro de Azevedo ali se propõem construir. Não se dá pela criação de condições para que as pequenas e médias empresas possam sair da crise, mas ajudam-se os que são já muito grandes a crescerem.

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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