14 May 2010

Uma Europa social?


A nossa cidade de Matosinhos foi a escolhida para as celebrações do dia da Europa de 2010. O tema destas comemorações era interessante, “ Venha descobrir o que a Europa social faz por si “ e pretendia dar a conhecer as medidas de carácter social no âmbito do ano europeu, o combate à pobreza e exclusão social.

Tudo isto estaria muito bem se não soubéssemos como a Europa tem sido pouco atenta aos problemas sociais causados pela sua preocupação em manter a subserviência face às determinações do chamado “ mercado financeiro” , que por acaso está sedeado em Nova Iorque.

Os eurocratas do Banco Central Europeu foram muito céleres em propor medidas de salvamento para os bancos que, engolindo o isco e o anzol lançados pelas agências de notação financeira ( o famigerado rating), compraram o “lixo tóxico” criado pelos especuladores e arrastaram os mercados para a situação financeira em que se encontram.

A mesma celeridade não existiu para conseguir ajudar a economia Grega a braços com uma situação, que não é exclusivamente da sua responsabilidade, pois todos sabemos das pressões exercidas pelos grandes grupos económicos e financeiros para que as compras se mantenham em alta, mesmo que as condições de pagamento sejam problemáticas.

A sobranceria dos países ricos da Europa face aos países com debilidades financeiras é totalmente inaceitável, no âmbito de um mercado comum europeu, onde foi até possível criar uma moeda única ( embora não aceite por todos ). Tanto mais que essa sobranceria é, principalmente exercida pela Alemanha que não cumpre com os parâmetros que ela mesma exige aos outros países.

Os ataques lançados pelas agências de notação financeira ( as mesmas que criaram, em grande parte, a crise em que vivemos) têm um fim muito claro, fazer com que os financeiros que emprestam dinheiro aos países com problemas, se tornem ainda mais exigentes e aufiram ainda mais lucros.

Esta é a realidade, à luz da qual deve ser lida a critica situação em que vivem a Grécia, Portugal, a Espanha e até a Irlanda, que até há bem pouco tempo era considerada um modelo de desenvolvimento.

Temos plena consciência de que os governos dos países em crise contribuíram de forma decisiva para a situação, não alertando devida e atempadamente os seus cidadãos para os perigos de viver acima das próprias posses.

E face a isto o que fazem os eurocratas de Bruxelas, criam condições draconianas aos países em crise, para a ultrapassagem dos seus défices, condições essas que irão provocar ainda mais desemprego, miséria social e fome entre os cidadãos destes países.

O governo português, como aluno disciplinado e obediente dos mestres neo- liberais que comandam a Europa a partir de Bruxelas e de Berlim, pretende levar à prática toda uma série de medidas que irão pesar sobre os mais pobres e sobre aqueles que menos podem fugir ao fisco, os trabalhadores por conta de outrem, os pensionistas, os desempregados e os pequenos empresários.

Reforçado com a recente aproximação e virtual aliança com a direita, o governo do PS, que até agora jurava a pés juntos que não iria aumentar impostos , já se propõe estudar a possibilidade de aumentar o IVA, o que irá tornar ainda mais difícil a vida dos portugueses.

Entretanto continua a não taxar os lucros da banca, ao menos da mesma forma que taxa os lucros das outras empresas e a não tributar as operações com off-shores, como acontece em tantos outros países.

Sempre repudiei as formas de luta politica que utilizam a violência como argumento, mas como dizia Bertold Brecht :

Do rio que tudo arrasta, se

diz que é violento

Mas ninguém diz violentas as

margens que o comprimem.

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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