30 April 2010

O comércio na Brito Capelo



O problema da desertificação, do ponto de vista comercial e não só, que se verifica, actualmente, na Rua de Brito Capelo, foi, já muitas vezes, levantado pelo Bloco de Esquerda de Matosinhos.

Não é só o facto de muitos dos estabelecimentos, daquela que foi uma das mais importantes artérias comerciais da nossa cidade terem encerrado as suas portas, mas aqueles que resistem, com honrosas excepções, têm enormes dificuldades em competir com a proliferação de centros comerciais que existem no nosso concelho.

Os comerciantes da Brito Capelo e das ruas próximas, com a falta de afluência de clientes e a consequente quebra nas vendas, deixaram de ter possibilidades financeiras para modernizar os seus locais de venda e mesmo para introduzir novas fórmulas que pudessem atrair mais clientes.

Sabemos que o comércio está um pouco envelhecido e que tem vindo a descuidar a própria inovação nas suas lojas, mas, a haver alguma dinâmica ela se encarregará de alterar as coisas para melhor.

Numa época de crise e de desemprego, o encerramento de empresas, por mais pequenas que sejam, contribui para agravar a situação.

As “experiências” realizadas na utilização da rua, ora com automóveis e com estacionamento, ora sem estacionamento e, actualmente, só com o metro de superfície, em nada contribuíram para melhorar a situação.

A Câmara Municipal tem feito, ao longo dos tempos, inúmeras promessas, alegadamente, com vista à dinamização desta rua e adjacentes.

Umas vezes é a promessa da construção de uma “pala” que transformaria a Rua numa galeria comercial, outras vezes é uma espécie de “condomínio” que zelaria pela dinamização em conjunto, mas nunca nada se concretiza e o tempo corre.

Ultimamente, surgiu a ideia de enterrar o metro. Este projecto vem tarde e a más horas. Depois de terem sido feitas obras na rua, aliás muito mal, conforme se pode constatar, não faz muito sentido voltar a abrir tudo para proceder ao enterramento deste meio de transporte, com um enorme prejuízo para o erário público e para os comerciantes locais, que voltariam a ter a rua encerrada durante algum tempo.

Mas não é esse o único problema. Existem, também, problemas de carácter estrutural. Como é do conhecimento de muitos, a Rua Brito Capelo está assente num areal (o que nem tornaria o enterramento muito difícil); mas será que a estrutura frágil das construções envolventes iria aguentar o abalo provocado pelas obras ? E, em caso negativo, quem assumirá os custos das indemnizações ?

Não nos parece que seja por aí que se pode contribuir para melhorar as condições do comércio de Rua na Brito Capelo e da desertificação do centro de Matosinhos.

Uma autarquia preocupada com o desenvolvimento do pequeno comércio e com uma recuperação da vivência citadina deveria envidar esforços para tornar apetecível o investimento nesta zona, tentando canalizar para aqui “ lojas âncora” que assegurem a visita regular de possíveis compradores e aumentem as probabilidades de trabalho aos comerciantes já existentes. Não poderá, igualmente, esquecer o problema do estacionamento.

Alguma animação de rua, uma iluminação mais cuidada e que, ao menos, funcione, e um incentivo aos comerciantes para melhorar as suas lojas, quer em horários, quer na introdução de novos artigos, poderia alterar a apagada tristeza da Brito Capelo.

Cabe, também, aos comerciantes serem mais pró-activos. Devem fazer ouvir a sua voz em todas as decisões a tomar.

Nós, Bloco de Esquerda de Matosinhos, procuramos mostrar como é possível fazer alguma coisa com meios reduzidos e sem pretensiosismo de tipo novo rico.

Em três manhãs de Sábado de Abril, propusemo-nos fazer acções de animação, com música ao vivo, com manipulação de marionetas, pinturas de grafitis e com o contacto permanente com a população.

Serviram acções como estas para comemorar, com alegria, o 36º. Aniversário do 25 de Abril, mas também para recordar que deverão ser os Matosinhenses, nós todos, os primeiros actores da mudança, fazendo com que o 25 de Abril não se transforme em mais um feriado, mas permaneça como um manifesto da necessidade quotidiana de transformar a sociedade.

José Joaquim Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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