30 March 2010

As árvores na cidade

Na maior parte das cidades da Europa, as árvores existentes são cuidadosamente tratadas e conservadas como um bem público a preservar. O papel que as árvores exercem na beneficiação da qualidade ambiental, para além do enquadramento visual que dão à cidade, não é, de modo nenhum, de desprezar.

Não é necessário ser um fundamentalista ambiental, basta ter um pouco de bom senso, para entender que uma cidade com muitas árvores espalhadas por toda a sua área é um sitio muito mais agradável para se viver. Tal não parece ser o entendimento dos responsáveis camarários de Matosinhos. Aqui, por espaços verdes entendem-se uns canteirinhos de relva com alguns, poucos, arbustos ou uns vasos de ferro plantados nas ruas.

A consequência desta falta de sensibilidade para com as árvores e sua importância é o longo passeio ao longo das praias de Matosinhos e a marginal de Leça da Palmeira, onde as árvores primam pela completa ausência. Não têm sido encaradas alternativas em vez de o abate de árvores. Quando questionados sobre as razões do “massacre”, dizem-nos que a iluminação eléctrica fica prejudicada pelo tamanho das árvores, ou que as raízes destroem os passeios. A única solução é sempre a mesma: o abate.

Presentemente, assiste-se ao abate desenfreado das árvores existentes no agradável recanto que existia na Rua da Estação em S. Mamede Infesta, a exemplo do que se fez na rotunda da ponte móvel em Leça, em Custóias e noutros locais. Eventualmente as árvores que ali existiam irão ser substituídas por espécimes arbustivos de pequeno porte que, de modo nenhum, cumprem o mesmo papel .

Planear urbanisticamente uma cidade não pode continuar a ser, apenas, entregar à voracidade da construção civil todos os terrenos, sem cuidar as questões ambientais e nomeadamente a necessidade de espaços verdes disseminados por toda a cidade. Não é suficiente afirmar que as zonas verdes em Matosinhos aumentaram só porque existem muitos pequenos ajardinamentos nos intervalos dos prédios. Não é suficiente que, no Dia da Árvore e, mais ou menos folcloricamente, se proceda à plantação simbólica de uma árvore e que nos outros se promova ou se esqueça a destruição das mesmas.

Já não é a primeira vez que aproveito esta coluna para chamar a atenção para este problema, por certo não será a ultima. Estarei atento a todos os “arboricídeos” que forem sendo cometidos no nosso concelho e cumpre-me denunciá-los.
PEC
Retomando a questão do PEC ( Programa de Estabilidade e Crescimento), a sua apresentação pelo Governo tem suscitado as mais diversas opiniões. Num país como o nosso, onde as desigualdade sociais são gritantes, serão, mais uma vez, os cidadãos com menos possibilidades económicas, os trabalhadores precários, os desempregados, os reformados e pensionistas, em suma, os mais pobres, a sentir mais duramente as consequências dos erros cometidos pelos banqueiros e pelos grandes beneficiários da economia de casino.

Constitui uma falácia inqualificável o afirmar ser necessário assumir os sacrifícios, para ultrapassar a crise, por igual. Aqueles que, até agora, têm sofrido as consequências, não podem ter o mesmo grau de sacrifícios do que os que têm lucrado com toda a situação. Porque têm de ser sempre os mesmos a pagar o “pato” ?

O ministro das Finanças afirma que “a melhor maneira de destruir o Estado Social é levá-lo à falência “, tentando justificar os cortes nas prestações sociais. O que não diz é que o estado gastou com a “salvação” dos bancos BPP e BPN valores que dariam para equilibrar os gastos sociais e impedir a pauperização absoluta de muitos milhares de portugueses.

Decididamente cada vez mais se impõe uma verdadeira campanha para Limpar Portugal, só que o lixo não está só nas bouças e nas bermas das estradas, a limpeza terá que passar por um intransigente combate à corrupção e às profundas desigualdades que reinam entre os portugueses.

José Joaquim Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal pelo Bloco de Esquerda

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