21 January 2010

Luta contra a pobreza

Como sabemos a pobreza continua em crescimento no nosso país . O numero de cidadãos e famílias que não conseguem auferir um rendimento que lhes permita um nível de vida digno é de 1 para cada 5, sendo, o mais grave, que muitos deles desenvolvem uma actividade mais ou menos produtiva e o salário não é suficiente para os sustentar.

Muitos anos de destruição sistemática do tecido produtivo, politicas de baixíssimos salários e de pensões de reforma de miséria, população trabalhadora sem qualificações, empresários, melhor dizendo patrões, sem um mínimo de preparação, confundindo a gestão da empresa, com a sua economia pessoal, levaram à situação em que nos encontramos.

Não é suficiente apontar as culpas à crise que assolou o mundo capitalista, motivada pela economia de casino, descontrolada e criminosa. A crise em que Portugal vive radica em erros que vêm de trás e que têm que ser apontados às diferentes governações de há vários anos a esta parte.

Uma publicidade persistente e enganosa, mas bem direccionada, criou necessidades artificiais aos portugueses que não souberam, ou não foram capazes de lhe resistir, endividando-se até limites impensáveis. Um Estado que, em vez de ter um papel pedagógico, apontando os perigos resultantes do consumismo, promoveu e apoiou esse mesmo consumismo, não sendo capaz de denunciar as promessas de crédito fácil dos bancos e entidades afins.

Com cerca de seiscentos mil desempregados, com uma parte substancial destes sem ter acesso, sequer, ao subsídio de desemprego, com um número enorme de jovens e menos jovens desempregados, muitos escondidos em acções de formação com um escasso valor formativo, tal situação fica espantosamente cara ao erário publico e não se vislumbram grandes possibilidades de a ultrapassar, com as propostas que nos vão sendo apresentadas.

O aumento do apoio social aos desempregados, mesmo aos que apenas têm tido trabalho com falsos recibos verdes, tem que ser alargado, de acordo com as reais necessidades da sociedade .

A sociedade portuguesa deve encarar seriamente a necessidade de criar condições e apoiar alternativas sociais que retirem da situação de desemprego e de quase exclusão social tantos portugueses e portuguesas. Estas alternativas podem existir na constituição de cooperativas com base nas indústrias que foram encerrando e que têm viabilidade, no repovoamento das zonas rurais, com aposta na agricultura sustentada/ biológica e nas pescas. Para tal é necessário garantir um mínimo de condições de tais alternativas, nomeadamente, em apoios técnicos e financeiros.

Esta não é uma proposta utópica, já mostrou ser viável noutros países e nem sequer ficaria muito mais cara às finanças publicas, do que a atribuição de subsídios que a crise social acarreta. Tudo tem a ver com as prioridades que se escolhem para resolver as questões: se a economia existe para servir as pessoas, ou o contrário.

A meu ver estas poderiam e deveriam ser algumas das prioridades que um governo de esquerda e socialista encararia para tentar safar o país da crise. Por certo, não têm muito a ver com a necessidade de parecer um bom aluno do FMI e do Banco Central Europeu, ou estar mais preocupado com a contenção do deficit do que com a melhoria das condições de vida do povo que o elegeu.

É tudo uma questão de prioridades e, portanto, de escolhas.

José Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

2 comments:

JOSÉ MODESTO said...

Tão actual, tão presente:

SER-SE POBRE UM DIA NÃO CUSTA NADA... O QUE CUSTA É SÊ-LO TODOS OS DIAS...

Saudações Marítimas
José Modesto

JOSÉ MODESTO said...

O Estudo de Impacto Ambiental da Linha do Campo Alegre prevê uma solução enterrada em Matosinhos - Sul. Porém, vai mais longe e aponta a transformação de toda
a Rua de Brito Capelo em zona pedonal.

Não seria importante ouvir os
Matosinhenses sobre esta matéria?

Uma discussão pública aberta a todos?

Saudações Marítimas
José Modesto

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