22 December 2009

"Jamais haverá ano novo, se continuar a copiar os erros dos anos velhos”

A citação de Luís de Camões que titula este pequeno texto ocorreu-me a propósito da recente posição do FMI quando apontou a rota de salvação para o nosso país.

A posição do FMI alerta para a necessidade de em 2013 o défice das nossas contas públicas dever andar pelos 3% do PIB e, diz-nos o FMI, que o caminho deve ser feito com recurso à contenção de gastos com subsídio de desemprego (logo agora que chegamos aos 10,2% de desempregados?!) e saúde, e na redução dos gastos na função pública, nomeadamente ao nível do "ajustamento dos salários" - um eufemismo para congelamento de salários. Dizem eles que a medida da função pública seria importante, também, para sinalizar a importância da contenção salarial do sector privado. Uma nova versão do apertar do cinto e, novamente, para os mesmos de sempre.

Serão estas medidas suficientes para o auspicioso objectivo do défice a três por cento?! O FMI não nos dá garantias, mas, para que não nos falte mesmo nada, apresentam-nos já um plano B: o aumento do IVA (que, como todos sabemos, é o mais injusto dos impostos porque pagam todos por igual, ricos e pobres, mesmo que se trate só de comprar pão).

Assistimos, assim, às receitas de sempre (lembram-se do acordo feito com o FMI na altura em que Mário Soares era primeiro-ministro?), um remake de um filme já gasto e cujo final é tudo menos sorridente. Pelo menos, para a grande maioria dos portugueses.

Curiosamente, este anúncio do FMI teve lugar no mesmo dia em que o Bloco de Esquerda lançou na Assembleia da República o mais desafiador de todos os debates da presente legislatura e cujos resultados podem traçar novos argumentos para a gestão do défice e para a construção de uma sociedade mais justa.

As propostas que o Bloco de Esquerda levou à discussão visam, tão só, defender práticas que já existem noutros países e que são bons exemplos do combate à fraude e à evasão fiscal. A mais relevante, entre elas, obviamente a do levantamento do sigilo bancário.

Perante a dita inevitabilidade do corte na despesa - que será sempre a resposta neoliberal até que já nada mais reste para cortar - o que hoje o Bloco de Esquerda apresentou foram soluções para aumentar a receita do Estado. E isto sem aumentos de impostos e sem exigir mais sacrifícios aos portugueses. Trata-se, apenas, de ir buscar o que deveria ser de todos e de combater o que nos vai saindo muito caro.

Este ano saíram mais de 7 mil milhões de euros de Portugal para offshores, o equivalente ao montante anual pago por todos os contribuintes, dinheiro que deveria ser fiscalizado. Contudo, o FMI diz-nos que o que devemos fazer é congelar salários, diminuir despesas..., enfim, por os mesmos de sempre a pagar uma crise que não criaram. Já dizia José Mário Branco: "Não há ronha que envergonhe o FMI".



Fernando Queiroz

5 comments:

JOSÉ MODESTO said...

Caro Fernando Queiróz, meditei, meditei e cheguei á seguinte conclusão:
Ainda sobre o texto anterior a este, não acha que a criação do referido gabinete Consultivo acaba por esvaziar o debate participativo nas Assembleias de Junta?
Afinal com este gabinete, não acha que o actual Presidente tem o trabalho de casa feito?

Saudações Marítimas
José Modesto

JOSÉ MODESTO said...

FARPAS:
Num semanário da nossa cidade:
"Foi o meu grande presente de Natal!!!".
Claro que foi Sr.Administrador, claro que foi...

Saudações Marítimas
José Modesto

JOSÉ MODESTO said...

Peço desculpa por este meu post nada ter a vêr
com a presente noticia, no entanto e dada a importancia da mesma aqui vai:

Quatro milhões e 400 mil euros
Câmara pede novo empréstimo
A proposta terá ainda que ser aprovada pela Assembleia Municipal de Matosinhos,
No próximo dia 28 de Dezembro…

Espero ansiosamente ver qual o resultado das diferentes forças no hemiciclo…

Saudações Marítimas
José Modesto

JOSÉ MODESTO said...

Caros Matosinhenses.
Ontem fui assistir á reunião da Assembleia Municipal de Matosinhos.
Eram 20,30 hrs já me encontrava lá.
A secção estava marcada para as 21,00 hrs.
O inicio os trabalhos efectuou-se eram 21,05 hrs.
Curiosamente além de chegarem atrasados alguns vereadores faltaram...

Uma palavra de agradecimento ao Sr.Presidente da Assembleia que obviamente
registou o meu aparte sobre esta matéria.
Apelidada: casa da Democracia pede-se a todos o cumprimento dos horários e
respectiva presença.

Saudações Marítimas
José Modesto

Anonymous said...

Caro José Modesto:
A posição assumida pelo Deputado eleito pelo Bloco na A.M., a propósito do pedido de empréstimo a curto prazo, que foi apresentado em 28 de Dezembro foi:
"O BE não viabilizará pedidos de emprèstimo para acorrer a dificuldades de Tesouraria. No entanto, até poderemos reconsiderar o nosso sentido de vooto se nos forem justificadas as finalidades e os projectos a que tais fundos se destinam."
Como as explicações dadas eram no sentido de acorrer apenas a dificuldades de Tesouraria, votamos contra.
FERREIRA DOS SANTOS

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