23 November 2009

A crise continua

Após o fecho do ciclo de campanhas eleitorais, em que o tema da crise foi usado e glosado por todos e de todas as formas, parece que este deixou de constituir motivo de discussão.

Começaram, até, a ser propaladas informações de que a situação económica estava a melhorar e que o fim da crise estava à vista.

Apesar disso, foi anunciado há poucos dias que a taxa de desemprego voltou a subir e que não há perspectivas para que se inicie a sua baixa. Aliás, como é sabido, mesmo após alguma recuperação económica, leva tempo a que o emprego recupere .

Os desempregados e os trabalhadores que, embora com trabalho, têm condições de emprego precárias e sem direitos, sabem que a crise está aí e é bem sentida.

A situação em Matosinhos não é diferente do resto do país. Embora custe a aceitar ao Presidente da Câmara, o desemprego tem vindo a aumentar no nosso concelho nos últimos meses, embora se afirme terem sido criados postos de trabalho nos centros comerciais e nos supermercados que, entretanto, têm proliferado por todo o concelho, sendo incompreensível , mesmo à luz da filosofia empresarial, a razão para que abram tão próximo uns dos outros.

Mas, vejamos o que acontece com tais “postos de trabalho” criados nas grandes superfícies comerciais. As ofertas de emprego são, geralmente, para jovens muitos com habilitações superiores ao 12º ano de escolaridade e alguns mesmo universitários.

A muitos destes jovens, com absoluta falta de alternativas de trabalho, é oferecido meio horário de trabalho, com meio salário mínimo , como repositores ou como caixas. Estes trabalhadores, sem um mínimo de garantias no seu contracto precário de 3 ou 6 meses, deixam de contar para a estatística dos desempregados. Mas será que uma pessoa a auferir um salário de pouco mais de 200€ por mês pode ser considerado empregado?

É esta a triste realidade de milhares de jovens no nosso país e no nosso concelho, com um futuro adiado e sem perspectivas.

São urgentes medidas que possam contribuir para melhorar esta situação.

Algumas propostas foram avançadas nos programas eleitorais do partido e devem ser encaradas com seriedade e sem preconceitos . Entre todos teremos, por certo, mais possibilidades de encontrar soluções.

Esperar que o sacrossanto “mercado” resolva este problema é de um optimismo que raia a ingenuidade . Pode, aliás, tornar-se muito caro, dado que se estão a criar condições para lançar para os caminhos da exclusão social muitos destes jovens, a quem hoje, não dermos oportunidade de vida e de futuro.

A responsabilidade é de todos nós, mas cabe às autoridades, ao governo central e aos governos autárquicos a criação de condições mobilizadoras para que as tão anunciadas novas oportunidades não fiquem por meros slogans .


José Ferreira dos Santos
Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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