06 October 2009

Contagem decrescente

A cinco dias das Eleições Autárquicas, o Bloco de Esquerda de Matosinhos realizou uma conferência de imprensa na Junta de Freguesia de Lavra. Tempo para fazer o balanço da campanha e reafirmar prioridades.


O local não foi escolhido ao acaso, já que para o Bloco de Esquerda de Matosinhos a Freguesia de Lavra é uma das que tem sido mais prejudicadas num concelho que ainda é manifestamente assimétrico. Segundo o Bloco há uma «política de cidade» para algumas freguesias como é o caso de Matosinhos e Leça da Palmeira, sendo as do interior e do norte do concelho alvo de menor atenção por parte do executivo camarário. A medida disto mesmo é a diferença ao nível das «políticas de investimento», salientou o candidato à Câmara Municipal Fernando Queiroz.

Campanha

O encontro com os jornalistas e candidatos do Bloco de Esquerda concelhio serviu para fazer um ponto de situação sobre a campanha e os objectivos do Bloco. As expectativas relativamente ao resultado das Autárquicas são «bastantes positivas» não só por causa dos resultados do BE a nível nacional, mas também devido à votação a nível concelhio – nas eleições Legislativas, o BE afirmou-se como a terceira força partidária em Matosinhos, com 11,4% dos votos. No dia 11 de Outubro, o Bloco de Matosinhos acredita que vai «aumentar o número de mandatos», o que se traduzirá no «alargamento da sua representação a todas as Assembleias de Freguesia» (neste momento está presente em 7), no «reforço da presença na Assembleia Municipal» e na eleição de, «pelo menos», um vereador.

O contacto directo com a população tem sido a aposta do BE de Matosinhos em termos de campanha, «mas sem folclores nem brindes», já que há uma recusa em aderir à “política-espectáculo”. A propósito, Fernando Queiroz criticou o caso da «candidatura unipessoal de Narciso Miranda» cujo orçamento «já terá sido ultrapassado»; caberá porém «à entidade competente», e «não ao Bloco de Esquerda», fazer a análise desta situação, acrescentou o candidato.



E porque ganhar significa poder «influenciar as políticas» por forma a beneficiar os matosinhenses, Fernando Queiroz salientou algumas das prioridades do BE concelhio. É o caso do combate ao desemprego que, entre Agosto de 2008 e Agosto de 2009 «aumentou 28% no concelho». Uma das propostas é promover a reabilitação do edificado degradado, um programa que no entender do BE deve ser de iniciativa municipal. Este programa seria «gerador de postos de trabalho, sobretudo se forem privilegiadas as empresas de construção de menor dimensão», e permitiria também «combater a especulação imobiliária», assim como «requalificar o espaço público», defendeu Fernando Queiroz. Depois de recuperados, os edifícios serviriam para «realojar famílias com carências habitacionais» ou seriam lançados no mercado com custos controlados, e outra parte «no mercado de arrendamento “normal”». Este é um exemplo de como políticas aparentemente diferentes se podem interligar entre si – no caso o combate ao desemprego, a requalificação do espaço urbano e a política social de habitação.

Mais prioridades

No comunicado distribuído a comunicação social são também enumeradas outras propostas do Bloco de Esquerda Concelhio. O Bloco defende a criação de uma rede de equipamentos colectivos públicos dirigidos às crianças e aos mais idosos. Em matéria do ordenamento e gestão do território, destaque para a necessidade de inverter a já referida «discriminação negativa» de que são alvo freguesias do concelho, bem como a necessidade de rever o Plano Director Municipal (PDM), o qual «se encontra em análise há nove anos», como pode ler-se no comunicado. A extensão da rede básica de saneamento a todas as habitações e a melhoria de mobilidade são também “bandeiras” do Bloco de Esquerda para Matosinhos.

A promoção do acesso aos cuidados de saúde – nomeadamente a garantia da existência de um médico de família para todos os matosinhenses – e a preocupação face à reorganização dos serviços hospitalares do Hospital Pedro Hispano, que poderá levar a um «esvaziamento» desta unidade de saúde, também merece a atenção do BE concelhio.

Por fim, outra das grandes apostas do Bloco consiste em «melhorar e alargar os mecanismos de democracia». Segundo o Bloco, a maioria absoluta do PS tem conduzido a uma postura de «alguma arrogância» nas assembleias municipais que tem resultado na recusa sistemática das propostas das forças políticas da oposição.

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