12 August 2009

COMO VAI A SAÚDE EM MATOSINHOS

As questões da saúde, no nosso concelho, têm sido tratadas com leviandade.

Após um período em que foi instalado um serviço pioneiro a ULS (Unidade Local de Saúde) que integrava o Hospital Pedro Hispano e os Centros de Saúde e que beneficiou os utentes, melhorando o acesso à saúde e aos cuidados preventivos, o que agora se verifica é uma enorme descoordenação e um retrocesso na qualidade dos serviços prestados.

Nos últimos tempos com a invasão de clínicas e hospitais privados o que se observa é uma estranha passagem, para aqueles, dos tratamentos e actos médicos que, até há pouco eram prestados no Hospital Pedro Hispano.

Será que isto tem a ver com as afirmações que se ouvem de que a saúde tal como o armamento são os melhores de todos os negócios?

Com a criação das USF (Unidades de Saúde Familiares) que foram apresentadas como vindo beneficiar os utentes, constata-se que, como o Ministério não possui o poder de fazer o milagre da multiplicação dos médicos e os profissionais de saúde são os mesmos, verifica-se que, tapando de um lado destapam do outro e, muitos utentes estão de novo, sem médico de família. Resta-lhes uma de duas alternativas; ou seguem os seus médicos para as novas USF ou ficam à espera que lhes seja atribuído novo médico de família.

Quanto às novas instalações, recentemente inauguradas com pompa e circunstância, em Perafita e em Leça do Balio, o que se pode dizer é que é necessário lá ir para ver.

Em Perafita, as condições de trabalho dos profissionais de saúde são precárias devido às questões das instalações, com o calor intenso proveniente da superfície envidraçada e do pé direito escasso das mesmas. Por outro lado, o tapa sol modernaço que instalaram serve de WC às pombas o que acumula maus cheiros e deteriora as condições de higiene. Nestas condições de trabalho saem prejudicados os utentes e os profissionais de saúde.

As novas instalações de Leça do Balio são muito exíguas para o número de utentes que as utilizam.

Mas o mais grave são as situações verificadas nos cuidados preventivos de saúde que, neste momento, sofrem uma atrofia, mais motivada pela necessidade de controlar os seus responsáveis do que por falta de meios.

Conhecemos a sanha persecutória exercida sobre alguns desses profissionais que ousam ter opinião própria e manifestá-la. Muitos têm vindo a ser afastados de serviços onde eram considerados como bons profissionais servidores da comunidade.

Por outro lado, com a contenção de custos tem havido problemas que vão ao ponto de haver pacientes em risco de perda de um membro inferior por falta, embora temporária, de tratamento específico no Pedro Hispano.

Muitas consultas de especialidade têm vindo a ser sucessivamente adiadas.

Situações como estas não podem continuar a verificar-se. O poder local não pode, nem deve interferir e controlar politicamente a saúde, mas pode e deve ter uma palavra a dizer sobre as politicas de saúde que vão sendo implementadas no seu âmbito e sobre os cidadãos habitantes no seu concelho.

O papel do Bloco de Esquerda em Matosinhos irá continuar a ser de denúncia das situações anómalas que nos chegarem ao conhecimento, mas igualmente de proposta de alternativas, por vezes bem simples, que possam contribuir para melhorar as situações. Mas uma regra é essencial. Antes de qualquer alteração a introduzir deve haver a preocupação de não deixar um só utente sem o necessário apoio.

Ferreira dos Santos
Empresário
Candidato do Bloco de Esquerda à Assembleia Municipal de Matosinhos

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