17 July 2009

Política à esquerda

Cerca de uma centena de militantes e apoiantes do Bloco de Esquerda estiveram presentes no jantar de apresentação da candidatura do BE concelhio às Autárquicas. Ao longo do jantar foram comunicadas aos aderentes as linhas de força da candidatura e adiantadas propostas que vão integrar o programa do partido para o escrutínio.

Após a intervenção do deputado João Semedo – que lembrou que «a batalha política mais próxima são as eleições legislativas» e que os resultados deste escrutínio vão influenciar os das Autárquicas, e a breve comunicação de Francisco Louçã que defendeu que «é nas políticas sociais essenciais que se disputam todas as eleições» – foi a vez de dar voz a rostos da candidatura do Bloco às Autárquicas em Matosinhos.

E é mesmo disso que se trata – rostos que estão em representação de uma equipa – como fez questão de sublinhar o candidato à Assembleia Municipal, Ferreira dos Santos. No projecto autárquico do Bloco de Esquerda para o Matosinhos «não há cabeças de lista», afirmou, uma vez que «todos os candidatos fazem parte integrante de uma equipa» cujos elementos não têm projectos pessoais de poder. Isto ao contrário do que acontece, por exemplo, com o PS, que tem sido incapaz de esconder as «lutas internas», representadas por duas candidaturas - uma, a oficial de Guilherme Pinto; a outra "independente" de Narciso Miranda . O candidato aproveitou este ponto para criticar o que considera ser uma fragilidade do PSD: a «importação» de um candidato – a referência é a Guilherme Aguiar – de outra autarquia (V.N. Gaia).

O desemprego e a pobreza, que no concelho atingem «uma dimensão verdadeiramente preocupante», bem como a necessidade de criar uma política de habitação justa, «onde de um lado não haja guetos» e, do outro, «Matosinhos Sul e Paços da Boa Nova» são outras das preocupações que serão reflectidas no programa para as Autárquicas. O mesmo acontece com uma das linhas de força que já tinha sido comunicada na apresentação pública da candidatura e que tem que ver com a necessidade de «mais e melhor» democracia: «procuraremos que a Assembleia Municipal deixe de ser uma mera caixa de ressonância pública para ser um verdadeiro fórum de participação dos cidadãos». A concluir, Ferreira dos Santos lembrou uma vez mais que o Bloco de Esquerda rejeita coligações pré e pós eleitorais.

Um combate com oito anos

Foi já no fim das breves palavras dirigidas aos participantes no jantar que o mandatário da candidatura, Abreu Pessegueiro, justificou o porquê de ter aceite o convite do Bloco de Esquerda: «Embora não seja militante, encontrei aqui as razões para ser mandatário porque tenho princípios de esquerda». O arquitecto e pintor defende «mais força ao nível da representatividade para quem tem a força das ideias», enumerando justamente algumas das propostas apresentadas ao longo destes últimos oito anos de combate autárquico: o Plano de Melhoria Energética para Matosinhos, aprovado por unanimidade pela Assembleia Municipal; a defesa do comércio tradicional – lembrando, a propósito, que a Rua Brito Capelo, onde decorreu o jantar, tem sofrido uma profunda descaracterização; e também o Programa de Mobilidade para Idosos e outras Pessoas com dificuldades Motoras.

Justiça na economia

Fazendo eco de ideias veiculadas pelos camaradas que o antecederam nas intervenções, o candidato à Câmara Municipal, Fernando Queiroz, referiu que o Bloco não se apresenta com «slogans ocos» como os que se podem ler na propaganda abundante de alguns partidos políticos e associações a nível local. Mensagens como «maior justiça na economia», «mais e melhor democracia», e a defesa de cidades «ambientalmente sustentáveis» prometem ser pilares de uma candidatura que se apresenta «a todos os órgãos autárquicos do município». E porque a crise afecta todo o país, sublinhou Fernando Queiroz, as suas consequências «devem ser combatidas de forma decisiva» – deixando neste ponto o candidato antever algumas das medidas que deverão constar do programa autárquico do Bloco de Esquerda. Uma delas diz respeito à criação de uma bolsa de habitação social, à imagem do que está a ser proposto pelo BE noutros concelhos. O Bloco de Esquerda vai insistir na aplicação das propostas contempladas no Plano de Melhoria Energética para Matosinhos, pese embora «as respostas evasivas» que tem recebido dos responsáveis autárquicos (nomeadamente do presidente Guilherme Pinto) quando confrontados com a concretização das mesmas.

À Petrogal também continuará a ser exigida uma postura diferente por parte do Bloco: «A refinaria tem de existir e gera postos de trabalho; está cá, seja. O que queremos é que os serviços municipais de protecção civil informem as populações sobre como agir quando há problemas. Queremos que a Petrogal assuma as suas responsabilidades».

A finalizar, o candidato deixou uma mensagem definidora do projecto autárquico do BE para Matosinhos: «Apresentamos uma candidatura que, merecendo a confiança dos nossos concidadãos, levará à Câmara Municipal uma verdadeira política à esquerda».

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