30 July 2009

Não ao assalto às directorias escolares


As tentativas de municipalização do ensino estão na mesma medida da sanha destruidora do anterior modelo de gestão democrática das escolas.

O Ministério da Educação e a Direcção Regional de Educação do Norte (Drem), com o apoio por alguns autarcas e com a total subserviência da chamada Confederação das Associações de Pais (CONFAP) lá vai tentando destruir tudo o que cheire a autonomia e a democracia na gestão das escolas.

Para além da atribuição de subsídios às Associações de Pais, por intermédio da CONFAP e das suas delegações concelhias, esquecendo que há Associações de Pais que não estão filiadas na organização (patrocinada pelo Ministério e onde reina o Sr. Albino Almeida), subsídios esses que não se entende muito bem para que servem, verifica-se uma enorme pressão sobre os Conselhos Gerais Transitórios das escolas, com vista a eleger directores da “cor”, subservientes e dignos representantes do ME.

É claro que nem sempre as coisas correm pelo melhor e mesmo onde era suposto as eleições “serem favas contadas” tem ocorrido dissabores a estes “ aprendizes de feiticeiros”. Então, refugiam-se em meras questões processuais e burocráticas e pressionam a Dren, por todas as maneiras, a repetir as eleições para as direcções escolares. Repetir, repetir sempre até conseguir ganhar...
Estas tentativas vergonhosas de perpetuar o poder a qualquer preço contribuem e muito para o desprestigio da DEMOCRACIA . Aquela que lhes serve para pôr na lapela, mas que desrespeitam todos os dias.

É, do ponto de vista democrático, interessante ver as autarquias integradas nas preocupações das escolas. Pode facilitar a resolução de questões de manutenção, pode, inclusivamente, ajudar à definição das linhas orientadoras da política educativa.

Mas, o que não é admissível é que se verifiquem tentativas de intromissão por parte dos executivos camarários quer nas eleições dos directores, quer até, em conjunto com a DREN na utilização de subterfúgios da lei para a colocações de professores “amigos” ao arrepio das formulas consagradas legalmente para tal.
Pelo nosso lado iremos estar atentos a todas as manobras e iremos denunciá-las por todas as formas ao nosso alcance.

Já basta de desrespeito pela educação, palavra e conceito que enche os discursos das maiorias governamentais e autárquicas, mas que, de facto, apenas serve para desenvolver manobras estranhas aos interesses dos diferentes actores do sistema escolar.

Ferreira dos Santos
Empresário
Dirigente do Bloco de Esquerda

Publicado na edição do Jornal de Matosinhos de 24/07/2009

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