Monday, February 8, 2010

COMBATE AO DESPESISMO É PRECISO

Na última semana assistimos a uma tragicomédia, protagonizada pelo Governo do PS, que ameaçava demitir-se se fosse alterada a Lei das Finanças Regionais que este mesmo partido aprovou sozinho em 2006.

Aquela lei de 2006, aprovada pela maioria absoluta do PS impunha restrições às transferências de solidariedade para a Madeira com base no critério de já apoiar com cerca de dois mil milhões de euros as empresas do offshore da Madeira. Ora, a offshore não cria emprego, os rendimentos ali gerados não ficam na Madeira, isto é não passa pelos bolsos dos madeirenses, não resolvem qualquer problema da Região; aquele apoio é dinheiro virtual.

Para corrigir esta injustiça a Assembleia Legislativa da Madeira (ALM) apresentou uma proposta que todos os partidos (PS, PSD, CDS e PCP)aprovaram - com excepção do Bloco de Esquerda – e que esteve agora a ser discutida na Assembleia da República.

Na ALM o Bloco votou contra a proposta de lei porque dava demasiados poderes a Alberto João Jardim (AJJ) e permitia que o autêntico regabofe financeiro continuasse, permitindo ao Governo regional continuar a gastar à tripa-forra e, depois, viesse a transferir para o Orçamento Geral do Estado os efeitos desse despautério.

Na Assembleia da República, o Bloco conseguiu que fossem retirados os 110 milhões de euros que AJJ queria receber a título de retroactivos, que fossem impostos limites ao endividamento da Madeira e que, no caso de aqueles limites virem a ser ultrapassados, se impusessem sanções ao Governo regional. Feitas as contas, as transferências e autorização de endividamento da Madeira ascendem, com esta lei alterada a cerca de 40 milhões de euros. O Bloco conseguiu, porque os restantes partidos do oposição parlamentar aceitaram as alterações propostas, que se corrigisse uma injustiça, que se limitasse o despesismo e que se impusessem contas claras.

Quase caía o Carmo e a Trindade! O governo ameaça demitir-se, é convocado um Conselho de Estado, estivemos a milímetros do caos.

No entanto, tudo não passou de uma grande hipocrisia. O mesmo PS que aprovou na ALM uma proposta, essa sim, despesista, veio depois dizer que as alterações eram inaceitáveis. O mesmo Governo que alega não ter condições para governar porque se transferem mais 40 milhões de euros para a Madeira, é exactamente o mesmo que em Dezembro passado, em sede de Orçamento Rectificativo, fez aprovar uma autorização de aumento do endividamento da Madeira em 79 milhões de euros. Aliás, já em Janeiro deste ano Francisco Louçã confrontou o Primeiro-Ministro a propósito da prestação de avales ilegais - repito, ilegais – que o governo de José Sócrates permitiu no montante de 1.174 milhões de euros para a Madeira.

Despesismo? Foi isso que este governo fez. Falta de transparência das contas públicas? É isso que este governo promove. Transferências ilegais? Foi o que José Sócrates estimulou. Com a aprovação desta alteração da lei das Finanças Regionais introduz-se o combate ao despesismo e promove-se o rigor das contas públicas.

Vê-se, assim, que a “crise” a propósito das contas da Madeira é um mero jogo político que esconde o essencial. Que o Orçamento de Estado que o PS fará aprovar, com o apoio da direita parlamentar, não distribui equitativamente a carga fiscal, que se congelam salários e pensões, que diminui o investimento público contribuindo – em nome do sacrossanto equilíbrio das contas públicas – para mais crise na economia, mais desemprego e no final de contas para défices ainda maiores.


Fernando Queiroz

Sunday, February 7, 2010

Sobre a posição do BE face à Lei das Finanças Regionais

A leitora mariahenriques deixou um comentário que passamos a citar: "Ora muito bem, fundamentalmente o que eu gostava era de ouvir o que tem o Francisco louçã a dizer sobre esta cena triste dos apoios para Jardim e para os cofres da Madeira,
http://apombalivre.blogspot.com/2010/02/louca-e-o-bloco-de-esquerda-decepcao.html".
Pensamos que este vídeo, publicado no esquerda.net, poderá dar-lhe esclarecimentos adicionais.

Tuesday, February 2, 2010

Da AR para as ruas do País

O Bloco de Esquerda quer levar a Petição pelo Alargamento do Subsídio de Desemprego a todos os distritos e concelhos do País. Na segunda-feira, a deputada à Assembleia da República Catarina Martins e aderentes do BE concelhio reuniram-se junto ao centro de Emprego de Matosinhos onde recolheram assinaturas, e procuraram sensibilizar a população para a importância de resolver um problema que atinge, oficialmente, mais de 200 mil portugueses.

Catarina Martins salientou a importância de o debate sobre este problema, que configura uma situação de "extrema injustiça", ser alargado a todos os trabalhadores, ao passo que o candidato pelo Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Matosinhos, Fernando Queiroz, reafirmou algumas das propostas que têm sido apresentadas pelo BE concelhio, nomeadamente a recuperação do edificado como potencial fonte geradora de emprego.


Monday, February 1, 2010

Bloco de Esquerda Matosinhos no flickr.com

O núcleo concelhio do Bloco de Esquerda tem uma página no site de partilha de imagens flickr (http://www.flickr.com/). Pretendemos com este espaço documentar as acções desenvolvidas pelo BE – Matosinhos e criar um arquivo informal da(s) memória(s) dos nossos activistas e militantes que têm contribuído ou venham a participar em actividades desenvolvidas pelo núcleo.

A ideia surgiu na sequência do encontro promovido pelo esquerda.net, no Porto, onde foi afirmada a necessidade da aproximação entre o Bloco de Esquerda por via das novas tecnologias da comunicação e informação. Todos os contributos que possam enriquecer este espaço são bem-vindos.

Um link permanente para a página do Bloco de Esquerda Matosinhos no Flickr está, a partir de agora, na lateral Esquerda deste blog.

Saturday, January 30, 2010

Petição pelo alargamento do subsídio de desemprego - Segunda-feira em Matosinhos

O Bloco de Esquerda (BE) vai levar a cabo uma acção de recolha de assinaturas para a Petição sobre o Alargamento das Condições de Acesso ao Subsídio de Desemprego, na próxima segunda-feira, 1 de Fevereiro, às 9h30, junto ao Centro de Emprego de Matosinho (à Rua António Carneiro, 97 Matosinhos).

O BE iniciou a recolha de assinaturas, no passado dia 7 de Janeiro, com o objectivo de reverter a situação insustentável de quase metade dos 600 mil desempregados que não têm este apoio social. A petição pode ser assinada online em: www.esquerda.net/desemprego.

Thursday, January 21, 2010

Luta contra a pobreza

Como sabemos a pobreza continua em crescimento no nosso país . O numero de cidadãos e famílias que não conseguem auferir um rendimento que lhes permita um nível de vida digno é de 1 para cada 5, sendo, o mais grave, que muitos deles desenvolvem uma actividade mais ou menos produtiva e o salário não é suficiente para os sustentar.

Muitos anos de destruição sistemática do tecido produtivo, politicas de baixíssimos salários e de pensões de reforma de miséria, população trabalhadora sem qualificações, empresários, melhor dizendo patrões, sem um mínimo de preparação, confundindo a gestão da empresa, com a sua economia pessoal, levaram à situação em que nos encontramos.

Não é suficiente apontar as culpas à crise que assolou o mundo capitalista, motivada pela economia de casino, descontrolada e criminosa. A crise em que Portugal vive radica em erros que vêm de trás e que têm que ser apontados às diferentes governações de há vários anos a esta parte.

Uma publicidade persistente e enganosa, mas bem direccionada, criou necessidades artificiais aos portugueses que não souberam, ou não foram capazes de lhe resistir, endividando-se até limites impensáveis. Um Estado que, em vez de ter um papel pedagógico, apontando os perigos resultantes do consumismo, promoveu e apoiou esse mesmo consumismo, não sendo capaz de denunciar as promessas de crédito fácil dos bancos e entidades afins.

Com cerca de seiscentos mil desempregados, com uma parte substancial destes sem ter acesso, sequer, ao subsídio de desemprego, com um número enorme de jovens e menos jovens desempregados, muitos escondidos em acções de formação com um escasso valor formativo, tal situação fica espantosamente cara ao erário publico e não se vislumbram grandes possibilidades de a ultrapassar, com as propostas que nos vão sendo apresentadas.

O aumento do apoio social aos desempregados, mesmo aos que apenas têm tido trabalho com falsos recibos verdes, tem que ser alargado, de acordo com as reais necessidades da sociedade .

A sociedade portuguesa deve encarar seriamente a necessidade de criar condições e apoiar alternativas sociais que retirem da situação de desemprego e de quase exclusão social tantos portugueses e portuguesas. Estas alternativas podem existir na constituição de cooperativas com base nas indústrias que foram encerrando e que têm viabilidade, no repovoamento das zonas rurais, com aposta na agricultura sustentada/ biológica e nas pescas. Para tal é necessário garantir um mínimo de condições de tais alternativas, nomeadamente, em apoios técnicos e financeiros.

Esta não é uma proposta utópica, já mostrou ser viável noutros países e nem sequer ficaria muito mais cara às finanças publicas, do que a atribuição de subsídios que a crise social acarreta. Tudo tem a ver com as prioridades que se escolhem para resolver as questões: se a economia existe para servir as pessoas, ou o contrário.

A meu ver estas poderiam e deveriam ser algumas das prioridades que um governo de esquerda e socialista encararia para tentar safar o país da crise. Por certo, não têm muito a ver com a necessidade de parecer um bom aluno do FMI e do Banco Central Europeu, ou estar mais preocupado com a contenção do deficit do que com a melhoria das condições de vida do povo que o elegeu.

É tudo uma questão de prioridades e, portanto, de escolhas.

José Ferreira dos Santos

Membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

Friday, January 8, 2010

Casamento homossexual aprovado na Assembleia da República


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